Com problemas cardíacos, jovem espera oito meses por atendimento médico

Lidiane Leal Silveira tinha sete anos de idade quando foi vítima de uma febre reumática. A doença atingiu uma válvula do seu coração e lhe obrigou, 11 anos depois, a fazer uma cirurgia muito delicada.

A febre reumática, inflamação que pode afetar as articulações do coração, é causada por uma infecção estreptocócica, habitualmente da garganta. Foi esta a doença que quase mata a jovem, que passou a viver com uma válvula artificial no coração.

Lidiane, que é casada com o trabalhador autônomo David da Silva e tem uma filha de três anos de idade, viaja para Rio Branco de seis em seus meses para fazer a manutenção da válvula que lhe mantém viva.


A jovem Lidiane com a mãe, dona Maria Shirley e o pai,  Arlindo Silveira/Foto: Agência ContilNet
A jovem Lidiane com a mãe, dona Maria Shirley e o pai, Arlindo Silveira/Foto: Agência ContilNet
Nesta terça-feira (15), ela viajou para a Capital, mais uma vez, em busca de atendimento médico. Há cerca de oito meses, ela espera uma consulta com uma médica cardiologista de nome Paula, que atende no Hospital de Clínicas, mas não consegue nem mesmo chegar à porta do consultório onde a especialista recebe os pacientes. 

Maria Sirley Leal Silva, 53 anos, mãe de Lidiane, diz que terá que desembolsar R$ 200,00 para pagar uma consulta particular com a cardiologista.

"Fizemos os exames com muita dificuldade; uns pelo governo e outros pagando juros caros, como é o caso do Holter 24 horas, um equipamento que detecta alterações e reações no coração, que outros métodos não percebem", observa.
O pai de Lidiane, o autônomo Arlindo Silveira, estava de partida para o Alto Rio Iaco quando parou para conversar com a reportagem da Agência ContilNet.

Angustiado com os problemas de saúde da filha, ele fala de sua revolta com alguns órgãos de saúde pública do Estado.

"Minha filha já teve que esperar mais de um ano até o hospital de Sena Madureira marcar uma consulta na Fundação Hospitalar. Por três vezes, eles perderam toda a documentação e tivemos que fazer tudo de novo, enfrentando todo tipo de burocracia. Isso é uma vergonha, uma falta de respeito com uma jovem que desde os sete anos de idade enfrenta sérias complicações cardíacas", desabafa.


Arlindo diz que, todas as vezes que Lidiane viaja para Rio Branco, gasta uma média de R$ 500, 00 com passagem de táxi, para ela e um acompanhante, além de despesas com hotel e alimentação.

"Fico muito triste em ver o descaso das autoridades, não só com a minha filha, mas com outras pessoas, que conheço e que precisam de atendimento do serviço público".
Os exames que Lidiane conseguiu fazer, há cerca de oito meses, estão vencidos.

"Já fiquei mais de um ano esperando ser atendida. Agora, já tem oito meses que estou no aguardo. Minha médica não tem culpa disso, acho que o problema está no hospital de Sena e no atendimento ao público, pela Fundação Hospitalar", diz a jovem.


Infecções estreptocócicas
As infecções estreptocócicas são causadas por bactérias gram-positivas chamadas estreptococos.

As diversas variedades de estreptococos que provocam doenças agrupam-se de acordo com seu comportamento, características químicas e aspecto

Cada grupo tende a produzir tipos específicos de infecções e sintomas.

Os estreptococos do grupo A constituem a espécie mais virulenta para os humanos, seus hospedeiros naturais, porque podem causar faringites estreptocócicas (uma infecção estreptocócica da faringe), amigdalites, infecções na pele e no sangue (septicemia), escarlatina, pneumonia, febre reumática, coreia de Sydenham (doença de São Vito) e inflamação renal (glomerulonefrite).

Os estreptococos do grupo B causam, em geral, infecções perigosas nos recém-nascidos, nas articulações e no coração.
Os estreptococos do grupo C e G costumam viver normalmente nos animais, mas também podem crescer na garganta humana, no intestino, na vagina e na pele. Eles podem causar infecções graves como faringite estreptocócica, pneumonia, cutâneas, de feridas, pós-parto, neonatal, nas articulações e no coração.
Depois de uma infecção, pode ocorrer uma inflamação renal.

Os estreptococos do grupo D (enterococos) crescem normalmente na parte inferior do tubo digestivo, na vagina e na pele circundante. Também podem causar infecções nas feridas e nas válvulas do coração, na bexiga, no abdômen e no sangue.

As infecções por certos tipos de estreptococos podem causar uma reação auto-imune, na qual o organismo ataca os seus próprios tecidos. Pode ocorrer depois de uma infecção como a faringite estreptocócica e redundar em febre reumática, coreia e lesão renal.


Sintomas
Os estreptococos podem viver nas vias respiratórias, no intestino, na vagina ou em qualquer outra parte do corpo, sem causar problemas. Por vezes, estas bactérias aparecem numa zona inflamada (como a garganta ou a vagina) de uma pessoa que é portadora, e se pode atribuir a eles, equivocadamente, a responsabilidade da infecção.

O tipo mais frequente de infecção estreptocócica é a infecção da garganta. Em geral, os sintomas surgem repentinamente e incluem dor de garganta, sensação geral de mal-estar, arrepios, febre, dor de cabeça, náuseas, vômitos e taquicardia.

A garganta fica avermelhada, as amígdalas inflamadas e os gânglios linfáticos do pescoço podem aumentar de volume, ficando dolorosos ao tacto. As crianças podem sofrer convulsões e nas menores de quatro anos o único sintoma pode ser o pingo nasal.

A tosse, a inflamação da laringe (laringite) e a congestão nasal são pouco frequentes nas infecções estreptocócicas; estes sintomas sugerem outra causa, como uma constipação ou uma alergia.

A escarlatina é causada por toxinas estreptocócicas que provocam uma erupção cutânea generalizada, de cor rosada ou avermelhada, mais visível no abdômen, nas paredes do tórax e nas dobras da pele.
Outros sintomas são uma zona pálida à volta da boca, face avermelhada, língua rubra e inflamada, e linhas de cor encarnado-escura nas pregas da pele. A camada externa da pele avermelhada, habitualmente, desprende-se quando a febre desaparece.

Os estreptococos também causam vários tipos de infecções cutâneas, mas raramente produzem abscessos. Pelo contrário, as infecções tendem a propagar-se para as camadas profundas da pele, provocando celulite e, por vezes, erupções de cor vermelha e com aumento de temperatura, chamadas erisipela (fogo--de-santo-antão).

Sozinhos ou juntamente com os estafilococos, eles também podem espalhar-se para as camadas superiores da pele, formando erupções ulceradas e com crostas.

Certas variedades de estreptococos podem causar uma infecção destrutiva que se espalha rapidamente sob a pele e, por razões desconhecidas, tem aumentado, atualmente, o número de surtos deste tipo.


Tratamento
Os indivíduos com faringite estreptocócica e escarlatina melhoram geralmente em duas
semanas, mesmo sem tratamento.

No entanto, os antibióticos podem reduzir a duração dos sintomas nas crianças pequenas e evitar complicações graves, como a febre reumática. Também ajudam a evitar que a infecção se propague até ao ouvido médio, aos seios e à apófise mastóidea, e impedem que se transmita a outras pessoas.

Imediatamente após o aparecimento dos sintomas, deverá ser administrado um antibiótico, em geral penicilina V, por via oral.

Outras infecções estreptocócicas, como a celulite, a fasceíte necrosante e a endocardite, são muito graves e necessitam que se administre penicilina endovenosa, por vezes em associação com outros antibióticos.

Os estreptococos do grupo A costumam ser destruídos pela penicilina. Alguns estreptococos do grupo D, e especialmente os enterococos, são resistentes à penicilina e à maioria dos antibióticos; para muitas variedades destes, não se dispõe de um antibiótico totalmente fiável.

Sintomas como febre, dor de cabeça e dor de garganta podem ser tratados com medicamentos analgésicos. A febre pode ser tratada com antipiréticos como o paracetamol.

Não é necessário repouso na cama nem isolamento; contudo, membros da família ou amigos que tenham sintomas semelhantes, ou que tenham sofrido complicações de uma infecção estreptocócica, correm algum risco de se infectarem. (Wikipédia)
fonte     Agência ContilNet

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